MOVIMENTO NACIONAL PELA ANISTIA

Cleriston Pereira da Cunha

Cleriston Pereira da Cunha

Dias, semanas, meses. Tempo demais para quem aguardava Justiça. Tempo de menos para quem ainda tinha vida. Dentro de uma cela, longe da família, Cleriston pedia apenas o mínimo: olhem para mim, eu estou doente. Mas o silêncio foi a resposta.

O Estado ouviu. E calou.
O Estado viu. E não agiu.

Em vez de julgamento, veio a espera. Em vez de cuidado, veio o descaso. Em vez de pena, veio a morte — sem sentença, sem direito à defesa, sem misericórdia.

Quantas vezes ele avisou que não estava bem? Quantas laudas médicas, quantos pedidos ignorados? Se a Justiça é lenta, ela não pode ser surda. Se o Estado prende, ele assume a responsabilidade de manter vivo aquele que prendeu. Não fez. E por isso falhou.

Cleriston não foi apenas uma vítima de doença — foi vítima da morosidade, da burocracia, da indiferença. Se estivesse em liberdade, poderia ter se tratado. Mas sob custódia do Estado, morreu esperando. Morreu pedindo socorro para quem tinha a chave da cela… e virou estatística.

Que ninguém tenha coragem de chamar isso de fatalidade. Fatalidade é o inevitável. O que aconteceu com Cleriston foi evitável — e por isso imperdoável.

Hoje, o relógio da consciência nacional está marcando uma hora incômoda: o tempo da responsabilidade. Porque quem morre sob os cuidados do Estado não leva consigo apenas a própria vida — leva também a honra de quem deveria protegê-la.